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Palco\Praça, 2008
No centro da galeria, Pontogor convida o público a sentar e permitir-se relaxar, como em uma praça. Sentir o tempo de uma cidade que o artista só conhece de passagem. A relação de Pontogor com Niterói é através de janelas de ônibus, paisagens que se transformam em imagens, como em uma tela de TV. Seu trabalho – um palco cilíndrico de madeira com uma televisão que exibe um vídeo – deseja capturar o ritmo que o artista idealiza sobre a cidade: "Desenvolvo um trabalho lento, pois para mim Niterói tem um tempo próprio."
Sua percepção acerca desse espaço-tempo é capturada através de impressões pessoais sobre os moradores de Niterói. Uma sociedade que anuncia um estilo de vida de grande cidade ao mesmo tempo em que prioriza momentos de tranqüilidade e intimidade típicos de uma pequena cidade. Esse modus vivendi particular aguça a atenção do artista que possui como bagagem cultural a vida na zona norte do Rio de Janeiro, área caracterizada por uma infinita informação visual e sonora que coexiste com um ritmo social acelerado,e onde poucos se permitem ao lazer.
A praça (ou ilha) imaginada de Pontogor para esta exposição sintetiza a fusão entre a linguagem do artista e seu entendimento de lugar, especificidade e práticas relacionais situacionais que, por sua vez, são reflexos de como uma sociedade é possível como algo continuamente constituído e dissolvido por indivíduos que interagem. Com Palco/Praça, Pontogor consegue tocar em alguns temas centrais da experiência urbana como o trânsito, o estrangeiro e a conversa.
Non Stop Niterói, 2008
Doze círculos formando um círculo maior. Fotografias da praia de Itaipu, mais precisamente da primeira visita do artista ao sambaqui de Itaipu – monte de areia e conchas com depósitos orgânicos pré-históricos.
Em julho de 2008, Tomas Reyes retorna, depois de dois anos, para uma curta estadia no Brasil, vindo de um período de muitas viagens entre Colômbia, Estados Unidos e Japão. Países de culturas díspares e fusos horários opostos, que o artista escolheu para sua moradia, trabalho e estudo. No mesmo período de sua passagem pelo Rio de Janeiro, representantes de uma tribo indígena que viviam no bairro de Camboinhas, em Niterói, têm suas ocas queimadas, forçando-os a deixarem o local (bairro de alto poder aquisitivo da Região Oceânica da cidade).
Essas confluências de situações tornam-se a base do trabalho que Tomas apresenta nesta mostra. Remetendo a um relógio de sol, suas fotografias são a metáfora da passagem do tempo e de como este é relativo, inventado e subestimado pelo homem. No mesmo momento em que estamos sobre fósseis milenares em uma manhã de sol, alguém, em outro lugar do mundo, pode estar se preparando para dormir em uma “gaveta-cama toquiana high-tech” ou passeando em uma tarde chuvosa no Central Park, em Nova York. Sem muito esforço, poderíamos encontrar, até mesmo, pessoas tentando buscar reconhecimento, respeito e dignidade como etnia e indivíduos, há mais de 500 anos.
Nonstop Niterói é um baú de referências subjetivas e universais em que o artista sintetiza a noção de passado, presente e futuro e a converte em um único instante, o de nossa percepção.
Estudo para espelho de Claude, 2008
Imagine o poder de atração que exerce uma bela paisagem. Com o intuito de eternizar essa sensação, uma mesma paisagem foi registrada por pintores e fotógrafos ao longo do tempo. Como se houvesse um ponto ideal para apreender uma paisagem ou uma conexão perceptiva entre os diferentes autores – que perpassou os anos –, a mesma perspectiva é retratada e transformada em imagem.
Em Estudo para espelho de Claude, Vicente de Mello apresenta quatro representações da Ilha de Boa Viagem, desde uma pintura do século 19, passando por postais dos anos 1940 e 1960, até uma fotografia de sua autoria, datada de fins do século 20. Numa referência direta ao dispositivo óptico muito usado por pintores paisagistas nos séculos 18 e 19 para distorcer a imagem real, que se torna algo similar a um desenho – facilitando a realização de uma pintura em termos técnicos –, o artista evidencia essa busca pelo ângulo perfeito da paisagem, como um intento de capturar e absorver seu poder de atração.
Imagine um editor de imagem pré-fotográfico. O espelho de Claude transformava a imagem que estávamos vendo em imagem que deveríamos ver, ou seja: a composição ideal de tons para uma pintura. Em formato côncavo, o objeto foi amplamente utilizado por artistas e viajantes para contemplar, reconfigurar e transcrever uma paisagem. Ao virar as costas para a cena natural, o observador visualiza apenas seu reflexo distorcido e comprimido, o que possibilita enxergá-la em sua totalidade estética pictórica. Estudo para espelho de Claude consegue resgatar o que os pintores paisagistas acreditavam ser possível apenas com o espelho\dispositivo: sugar a nostalgia da paisagem.
Analu Cunha nasceu em Maceió (AL) em 1964 e, após uma breve passagem pelo Rio Grande do Sul, estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. É graduada em Comunicação Visual pela UFRJ, cursou pós-graduação em História da Arte e da Arquitetura no Brasil na PUC-Rio e é mestre em Linguagens Visuais pela Escola de Belas-Artes da UFRJ.
Estudou gravura em metal com Anna Letycia Quadros, xilogravura com Rubem Grilo – ambos no Museu do Ingá, em Niterói (RJ) – e pintura com Aloísio Carvão no MAM-RJ. Atuou no grupo de estudos e produção de palestras Visorama, ao lado de Ricardo Basbaum, Rosângela Rennó, Eduardo Coimbra, Brigida Baltar, Carla Guagliardi e João Modé, entre outros.
Participa de exposições individuais e coletivas desde 1982, em diversas cidades brasileiras e no exterior.Página da artista: http://analucunha.blogspot.com/2008_05_01_archive.html
Cristina Ribas nasceu no Rio Grande do Sul, em 1980. Atualmente vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Mestre em Artes Visuais pela UERJ (2008), graduou-se em Artes Plásticas, na UFRGS, em Porto Alegre (2004). Desenvolve junto com A Arquivista a pesquisa militante Arquivo de Emergência: Documentação de Eventos de Ruptura. Faz parte do Grupo Laranjas (coletivo situacional formado em 2001, em Porto Alegre). Concebeu o projeto Interações Florestais – Residência Artística Terra UNA com outros artistas. Trabalhou com movimentos sociais e ambientais diretamente na organização de Fóruns Sociais Mundiais entre 2000 e 2005. Na área das artes, recebeu prêmios das instituições Chave Mestra (Rio, 2006), Fundarpe (Recife, 2005) e Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte, 2003). Integra e realiza exposições individuais e coletivas, e participa de mostras de vídeo e cinema desde 2001. Escreve regularmente sobre arte contemporânea brasileira.
Daniel Murgel, nascido em Niterói em 1981, hoje vive e trabalha no Rio de Janeiro. Bacharelando em Artes Plásticas pela Escola de Belas-Artes da UFRJ, cursou Arte e Filosofia na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio, com Fernando Cocchiarale e Anna Bella Geiger.
Inicia sua produção no ano de 2004, atuando em coletivos de artistas – Grupo Pi e Opavivará – e participando de eventos e performances. Nesses quatro anos, tem participado com freqüência de exposições coletivas e salões de arte em diferentes estados do país, com destaque para o 58º Salão de Abril, no Museu de Arte da Universidade do Ceará, em Fortaleza (prêmio bolsa pesquisa), Trajetórias 2008, na Fundação Joaquim Nabuco, em Recife (PE), e Arte contemporânea brasileira – 18 propostas, na Galeria Murilo Castro, em Belo Horizonte (MG).
Daniel realizou sua primeira exposição individual em 2007, na galeria Mercedes Viegas Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. Em 2008, participou das coletivas Desenho em todos os sentidos, no SESC Petrópolis (RJ) e Verbo 2008, na Galeria Vermelho, em São Paulo.Página do artistahttp://dmurgel.blogspot.com/